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A Escolha do Gestor do Programa de Responsabilidade Social e o Atual Estágio do Movimento

Segundo a última pesquisa do Instituto Ethos, denominada Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil – 2008, recentemente divulgada, tem crescido a implementação de práticas de gestão socialmente responsáveis, mas, ao mesmo tempo, a pesquisa apontou um baixo percentual de empresas que utilizam instrumentos de formalização de políticas de RSE, bem como ferramentas e referências para auxiliá-las na definição de suas ações.

Ainda de acordo com a pesquisa, isso comprova que, apesar de as práticas de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) estarem em uma escala crescente de incorporação empresarial, falta uma maior formalização e institucionalização dessas práticas em nível estratégico e político.

Interpretando este cenário com base em nossa vivência de mais de 16 anos atuando e estudando o tema e convivendo diariamente com grandes empresas de todo o Brasil, gostaríamos de chamar a atenção para a total conexão desses resultados com uma figura fundamental, que é o gestor do programa de responsabilidade social das empresas.

Não temos dúvida de que, ao entendermos a responsabilidade social como algo transversal à gestão, conectada à estratégia de negócios, ao sistema de gestão e presente no diálogo com os stakeholders, desenhamos a figura de um “maestro sem comando”, pois a essência das práticas de responsabilidade social acontecem fora do escopo de sua liderança, em processos já tradicionais, na maioria das empresas (suprimentos, comercial, relacionamento com clientes, gestão de pessoas, produção, etc.).

Alguns podem imediatamente pensar que este fato não é novo, citando temas como segurança do trabalho e gestão de pessoas, os quais também dependem muito do real compromisso dos gestores com as diretrizes e práticas corporativas estabelecidas pelas lideranças destes temas.

Mas o que chama mais a atenção, além da complexidade e subjetividade do tema, é o amadorismo na escolha desses profissionais em muitas empresas, não definindo um processo seletivo estruturado e com características bem fixadas.

O perfil desse profissional e de sua equipe é de pessoas que atuarão muito mais como facilitadores, catalisadores e consultores internos do que gestores de projetos socioambientais. Além disso, precisam ter o “espírito de servir”, como define Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

E mesmo quando as empresas são eficazes nessa escolha, não oferecem condições básicas para a atuação desses profissionais. Vejam algumas delas:

  • Falta de formalização da função;
  • Acúmulo de funções. Por exemplo: são gestores de comunicação e de responsabilidade social;
  • Não têm equipes exclusivas, contando com cessões parciais de profissionais de outras áreas;
  • Inexistência de orçamento ou orçamento restrito a investimento social privado – ISP (apoio a projetos);
  • Posicionamento inadequado na estrutura organizacional ou ligado diretamente a um diretor, e não há presidência ou subunidade de uma unidade já insignificante;
  • Qualificação inadequada para o exercício da função, seja do ponto de vista acadêmico e/ou de experiência profissional;
  • Pouco conhecimento da alta administração quanto ao tema e pouca disponibilidade quanto à participação em ações de alinhamento conceitual;
  • Pouca disponibilidade dos gestores dos níveis hierárquicos mais altos para participação em grupos de trabalho ou comitês de responsabilidade social;
  • Resistência da alta administração a realizar ações de estruturação e/ou aperfeiçoamento do modelo de gestão do programa (diagnóstico de gestão, construção participativa da política, mapeamento dos stakeholders, inclusão de metas socioambientais no sistema de partilha de resultados etc.), entre outros.

Se este tema, portanto, realmente é estratégico e prioritário para as empresas, algo bastante comum nos atuais posicionamentos institucionais, vale refletir sobre a importância do gestor e/ou programa, tanto do ponto de vista da escolha quanto da infraestrutura de trabalho.


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